Mendoza: comer, beber e ser feliz

21.03.2020 - 18:03


Colunistas

Gastronomia

Lu Daux

Mendoza, a linda cidade localizada no oeste da Argentina, aos pés da Cordilheira dos Andes, que vem atraindo cada vez mais a atenção dos brasileiros. A região na qual se encontra é responsável por quase 80% da produção de vinhos do país e há mais de 100 vinícolas abertas à visitação. Além das bodegas, a cidade ainda oferece muitos outros atrativos como hotéis luxuosos, boa gastronomia, paisagens incríveis e eventos típicos da cultura local.

Estive por lá na última semana de fevereiro e descobri que a região tem boas surpresas reservadas para quem pesquisar.

Os restaurantes são maravilhosos.

O jantar no jardim do 1884 foi a melhor experiência gastronômica
Fotos: Lu Daux

1884 de Francis Mallmann, no centro de Mendoza, foi a maior e melhor surpresa. Mesas e cadeiras brancas no jardim gramado, sob caramanchões floridos. A parrilla acesa a fogo alto. O ojo de bife que se desmanchava, uma carta de vinhos que parecia um livro e o atendimento cordial. Inesquecível. Amei, amei e amei!

No Vale do Uco, a Cordilheira dos Andes reflete no lago do The Vines Spa & Resort

Siete Fuegos, também de Francis Mallmann, instalado no The Vine Spa & Resort no Vale de Uco, a 60 minutos do centro, aos pés da Cordilheira dos Andes. A propriedade é extraordinária, muito exclusiva e, claro, paga-se – e bem – por isso. O único senão é que como éramos clientes do restaurante, pudemos circular muito pouco por lá, mas é justo. Voltemos ao restaurante!

Provoleta na Brasa é uma das irresistíveis entradas do Siete Fuegos

Dedicamo-nos ao Asado Argentino com entradas típicas – Empanadas Mendocinas e Provoletas de Queijo – e serviços de vários cortes de carne acompanhados de legumes e saladas variadas. Para terminar frutas queimadas vindas dos fogos. Tudo com sabor intenso das técnicas de cocção que privilegiam o fogo com motor principal da cozinha. Francis Mallmann é conhecido como Senhor do Fogo, por dominar com excelência as brasas e preparar as melhores carnes da atualidade.  A carta de vinhos fantástica, e muito bem orientada pela sommelière Aichu.

Conhecendo um dos Siete Fuegos do Mallmann. Sensacional!

Azafrán, no centro, pode-se ir a pé. Charmoso, cool, com uma adega invejável e um serviço cuidadoso. Lá almoçamos. E quase ouso dizer que foi a melhor refeição de Mendoza. Recomendadíssimo!

Crème brûlée de doce de leite, uma surpresa fantástica no Azafrán. O restaurante oferece almoço executivo de três tempos, com alta gastronomia e excelentes valores

Casa Vigil, a 30 minutos do centro. O restaurante fica dentro da Bodega El Enemigo, que faz vinhos de grande excelência! A comida estava gostosa, bem apresentada, mas a melhor parte foi a visita à bodega. Guiados pelo único Nico Rock, conhecemos a história de Alejandro Vigil, enólogo e proprietário do El Enemigo, mas também enólogo da Catena. Isso dito, dispensa apresentações o señor Vigil.

Obras de arte e citações literárias são uma agradável atração à parte na Casa Vigil, na Bodega El Enemigo

Na Casa El Enemigo ele trouxe um pouco da Divina Comédia, de Dante Alighieri. Como na obra-prima de Dante, o passeio com Nico pela vinícola e pelas adegas de conservação do vinho foi um convite a atravessar os reinos além-túmulo, começando pelo inferno, depois o purgatório e, finalmente, o paraíso. Obras de arte espalhadas por toda parte, e também citações literárias! Vinhos maravilhosos! Não deixe de fazer a degustação de 11 etapas. Isto mesmo: 11 etapas.

Não deixe de fazer a degustação de 11 etapas na Casa Vigil, para degustar os maravilhosos vinhos da El Enemigo

Wine safari, piquenique gourmet, aula de culinária e outras coisas muito boas

Esta é uma experiência lúdica que precisa ser vivida no Cavas Wine Lodge

As experiências em torno de comer e beber em Mendoza podem ser extraordinárias. Foi o que aconteceu quando fomos ao Cavas Wine Lodge, um Relais & Châteaux que fica em Lujan del Cuyo, a 45 minutos do centro de Mendoza. A experiência incluiu uma visita guiada à vinícola Cobos, produtora de um dos vinhos que mais aprecio: Bramare (provei pela primeira ver o Pinot Noir deles e foi paixão ao primeiro gole). Também incluiu um piquenique gourmet, degustação dirigida pelo sommelier na adega e aula de culinária, onde aprendemos empanadas mendocinas. Mas o Cavas é muito mais do que isso. Conto numa próxima coluna!

É claro que não podem faltar as empanadas mendocitas. Clássicas!

A cidade gira em torno do vinho. Assim, na primeira semana celebra-se a vindima, a colheita das uvas no seu melhor ponto de maturação. As parreiras estão carregadas, e as ofertas de eventos são maiores.

Falando em vinho

Não posso deixar de dedicar as próximas linhas à uva Malbec, a casta mais famosa da Argentina, e a que produz muitos dos melhores vinhos. Uma casta francesa, originária da região de Bordeaux. No entanto, quando a região foi atacada pela filoxera – um fungo -, a Malbec foi considerada frágil e cedeu seu espaço ao aumento da Merlot. Em 1968 a Malbec foi levada para a Argentina, para a região de Mendoza, e adaptou-se muito bem ao terroir de lá.

Vinho gastronômico

Os vinhos Malbec são extremamente gastronômicos. O que isso significa? Que acompanham muito bem as refeições. Alguns são tão especiais que chamamos de “vinhos de contemplação”. Ou seja, são tão maravilhosos que merecem todas as luzes para si, dedicando toda a nossa atenção àquele momento… Uma contemplação!

As carnes, capítulo à parte

As carnes são famosas! Macias, saborosas! E a diferença de preparação é que eles fazem na parrilla – grelha, e nós na churrasqueira. Escolha seu corte: bife de lomo – filé mignon, tapa de quadril – picanha, vacio – fraldinha, asado de tira – costela, cortada em tiras, e a melhor parte (para mim) vem do contrafilé e suas divisões. Bife ancho – a parte dianteira do contrafilé. Para os franceses é o entrecote, para os brasileiros o bife de costela. Tem uma gordura interna que torna a carne ainda mais macia e úmida.  Ojo de bife – a parte central do bife ancho. Meu corte preferido. Bife de chorizo – a sequência do bife ancho. Macio, delicado, tem uma capa de gordura externa.

A cidade não oferece muitas opções de compras.

Enfim, Mendoza merece pelo menos cinco dias. Hospede-se em um dos bons hotéis como o Hyatt ou o Sheraton (onde fiquei), ou em um dos resorts à volta, e entregue-se aos prazeres de comer e beber.

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